Serra da Saudade, no Centro-Oeste de Minas, é a cidade com menos gente do país há 12 anos. O g1 esteve lá e mostra curiosidades, histórias e a rotina dos moradores.
06 de setembro de 2025
Serra da Saudade, no Centro-Oeste de Minas Gerais, é a cidade menos populosa do Brasil há 12 anos. Com apenas 856 moradores, o município se destaca pela tranquilidade: não tem semáforos, filas em postos de saúde, registro de homicídios há mais de 50 anos e oferece internet gratuita na praça central.
Apesar de “pouca” gente, a cidade tem 335,6 km² de área — um pouco maior que a de Belo Horizonte, que fica a cerca de 250 km.
O g1 esteve no município e acompanhou de perto o cotidiano dos moradores: uma rotina em que cada rosto faz diferença e onde a tranquilidade, quase esquecida em grandes cidades, ainda dita o ritmo da vida.
O comércio existe como pode em Serra da Saudade, que conta com poucos estabelecimentos: dois supermercados, uma padaria, uma casa lotérica e sete bares. É desse pequeno conjunto que a população se abastece no dia a dia.
Manter um negócio aberto na cidade é um desafio. A única loja de roupas fechou por falta de clientes. Em uma cidade onde cada vizinho faz falta, todos são peças fundamentais na engrenagem da comunidade.
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Maria Avelina, dona de um pequeno restaurante em Serra da Saudade — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
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O comércio existe como pode em Serra da Saudade, que conta com poucos estabelecimentos: dois supermercados, uma padaria, uma casa lotérica e sete bares. É desse pequeno conjunto que a população se abastece no dia a dia.
Manter um negócio aberto na cidade é um desafio. A única loja de roupas fechou por falta de clientes. Em uma cidade onde cada vizinho faz falta, todos são peças fundamentais na engrenagem da comunidade.
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Maria Avelina, dona de um pequeno restaurante em Serra da Saudade — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
Nesse contexto, a comerciante Maria Avelina Gomes, de 70 anos, continua trabalhando. Foi das panelas que sempre tirou o sustento e é delas que, até hoje, alimenta a família. Logo na entrada da cidade está o restaurante simples que recebe moradores e turistas ocasionais.
Sem letreiros chamativos, os preços do self-service e das marmitas são informados em folhas de papel coladas na parede.
“Eu criei todos os meus filhos como merendeira. Hoje tenho o restaurante e sou eu mesma quem cozinha. Tem poucos clientes, o que a gente ganha é pouco, mas dá para sobreviver. O comércio luta para existir em Serra, mas nada paga a paz de morar aqui”, contou.
Em Serra da Saudade não há hospital, mas a cidade garante atendimento básico no posto de saúde, com consultas e distribuição gratuita de medicamentos. Em situações mais graves, os moradores recorrem a municípios vizinhos, principalmente Dores do Indaiá, a quase 40 km de distância.
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Posto de saúde de Serra da Saudade — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
Segundo a Prefeitura, a responsabilidade é grande para manter a farmácia abastecida. O secretário de Saúde, Amarildo Fernandes, está no cargo desde 2008 e explica que o município se mobiliza para não deixar faltar remédios.
“Geralmente os médicos passam uma lista de medicamentos mais necessários e o município compra. Diante de uma eventualidade, algo mais restrito, a gente se mobiliza para conseguir também”, contou.
Até mesmo para abastecer o carro é preciso sair: o posto de combustíveis mais próximo fica em Estrela do Indaiá, a 15 km. Comprar roupas, quando não é pela internet, exige estrada até cidades vizinhas. Pequenos incômodos para quem está acostumado à tranquilidade de viver sem pressa.
Como compensação, a praça central oferece Wi-Fi gratuito. A conexão ajuda a aproximar os moradores e traz entretenimento em meio ao cenário tranquilo.
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Serra da Saudade, no Centro-Oeste de Minas, é a cidade menos populosa do Brasil. Com pouco mais de 850 moradores, a rotina gira em torno da praça central e da igreja, pontos de encontro de vizinhos que se conhecem pelo nome — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
Sem indústrias ou grandes empresas, a administração municipal também é a maior empregadora local. A prefeita Neusa Maria Ribeiro (PSD) governa a cidade, que tem apenas dois bairros: Centro e São Geraldo.
“Serra é pequena, mas aqui todo mundo se conhece. Essa proximidade nos ajuda a governar de forma mais humana. Posso arriscar que conheço todos os moradores. A Prefeitura sempre está de portas abertas, assim como minha casa. Não tenho restrições para atender nenhum morador. Temos relacionamento íntimo como uma grande família”, disse.

Serra da Saudade segue como a menor cidade do Brasil
A cidade tem índices de criminalidade quase nulos. De acordo com a Polícia Militar e os moradores, o último homicídio ocorreu há mais de 50 anos. Furtos e outras ocorrências graves são raros.
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Itamar José Fernandes, vive há 72 anos em Serra da Saudade — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
Na praça, ao lado da igreja matriz, o aposentado Itamar José Fernandes resume o clima de tranquilidade que reina por lá.
“Moro aqui a vida inteira e a gente não vê falar de roubo ou violência. É uma cidade para viver sem pressa, em paz, uma cidade para aposentados, como muitos dizem”, contou.
Esse cenário de calma e segurança ajuda a explicar por que muitos que partiram acabam voltando para Serra da Saudade.
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Antônio Bernardes da Costa rodou o Brasil e voltou para Serra da Saudade onde nasceu — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
É o caso de Antônio Bernardes da Costa, de 76 anos. Ele trabalhou com transporte de gado e viveu em estados como São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina. Quando a força de trabalho diminuiu, sabia bem para onde retornar.
“Nada se compara a Serra da Saudade, minha terra natal. Terra hospitaleira, terra de companheirismo. Todo mundo sabe que aqui é um paraíso”, declarou.
Uma única família representa 5% dos moradores. Há pessoas que vivem sem vizinhos e, no aniversário da cidade, o bolo é servido para todos os habitantes.
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Uma única família corresponde a 5% da população do município — Foto: Edléia Araújo/Divulgação
Na imagem, aparecem 30 membros da família Araújo. Ao todo, 42 pessoas da família vivem em Serra da Saudade. A professora Ediléia Araújo, 52 anos, contou que o número de familiares poderia ser ainda maior: 77. No entanto, muita gente se mudou, nunca morou na cidade e outros já faleceram.
E no aniversário da cidade, a comemoração é garantida — e o bolo também. Segundo a diretora de Cultura, Educação, Lazer e Turismo, Gislaine Gonçalves, o “bolão” serve todo mundo.
“Só não come quem não quer”, afirmou.
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Bolo de aniversário de 60 anos de Serra da Saudade, em 2022 — Foto: Lucca Fotos/Divulgação
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Serra da Saudade - menor cidade do Brasil - 04-09-2025 — Foto: Anna Lúcia Silva/g1
Fonte: G1 Centro-Oeste